Desenvolvimento

Saímos dos trilhos!

Sim, essa é uma verdade universal.

Existem momentos em que as coisas simplesmente saem dos trilhos! Estamos firmes e fortes, seguindo em frente e tremendamente motivados. Somos como locomotivas (a analogia é meio antiga como eu) a pleno vapor. Nós quase enxergamos a materialização do nosso projeto, seja este um software novo ou algo de cunho pessoal e então, alguma coisa acontece. Algo para o qual não nos planejamos e que obviamente não previmos. Olá frustração!

Pensemos em alguns exemplos, você planejou as férias dos teus sonhos, digamos, nada mais nada menos do que Disney; mas o dollar aumentou ou o seu voo atrasou e isso impactou o seu roteiro. Um pouco menos de Mickey para nós. Você começou a sair com alguém realmente legal, a pessoa parece se encaixar em todos os seus critérios, mas ela deixa de retornar às suas tentativas de conexão, sejam elas emocionais ou carnais. Um pouco mais de trilha sonora da sofrência.

E este aqui parece comum? O Product Owner daquela “metodologia ágil”, mudou o requisito da aplicação há dois dias do término da sprint. E você tinha grandes expectativas sobre como o esforço que despendeu nesta entrega, seria valorizado e reconhecido! Um pouco mais de código indo pelo ralo… Este aqui digamos, é um pouco mais ácido, você esperava ser promovido, afinal de contas se esforçou, fez horas extras, entregou projetos com qualidade e dentro do prazo. Reduziu custos, investiu na sua capacitação nas horas vagas, mas a instituição decidiu por contratar um profissional de fora para o seu almejado cargo, e que inclusive, será o seu “chefe”.

Todos esses, embora não extremos, representam exemplos de coisas factíveis e tenho certeza de que com alguma versão desses você se identificou.

No entanto vamos considerar alguns pontos a respeito dessa característica de mutabilidade e imprevisibilidade (em certa medida), que a vida vive a nos colocar e de fato nos tira dos trilhos. Se começarmos pelo mais prático e mais próximo de nós, sem entrar em uma profundidade filosófica descabida para este espaço, é possível afirmar que o nosso próprio corpo muda constantemente. Um segundo ponto seria o fato de que as nossas ideias e ideais mudam, você provavelmente não é o mesmo que há cinco, dez ou quinze anos. A grande verdade é que realmente, os nossos valores mudam! E os valores das instituições ao nosso redor igualmente, mudam e se transformam.

Talvez não seja tanto uma questão relacionada à razão da mudança, mas sim a nossa forma de pensar, que tem uma certa aversão à mudança e raramente a trata como algo comum, até certo ponto necessário e às vezes bem vinda. Não nos planejamos para aquilo que não podemos prever e a razão é óbvia: “não é possível prever”. Mas isso é diferente de escolher não contar com o fato, de que as coisas simplesmente podem mudar.

Acredito veemente que existem algumas formas de enxergar o outro lado da moeda. Geralmente a mudança traz consigo alguma forma de oportunidade (sim isto tem um pouco da história da menina Poliana, e por isso mesmo é fantástico), de reavaliar o seu caminho, de repensar um projeto parado, de amadurecer os seus valores e fortalecer suas bases. Uma viagem mais curta, com um roteiro reduzido talvez te faça viver com mais profundidade, e economizar um dinheirinho. Uma relação que se rompe, abre caminho para repensar seus critérios. Rever amizades, se entregar para o afago e apoio do teu melhor amigo(a). Um projeto que muda, pode se tornar mais assertivo, ou apontar que talvez seja a hora de partir para uma organização que tenha mais a sua cara e reconheça seu know-how.

Parece clichê mas você se fortalece de fato quando sai dos trilhos e escolhe encarar o inesperado com bom humor e disposição. É claro que não optamos por viver o inesperado, mas é maduro buscar, e enxergar na situação oportunidades! Dessa forma, contar com a mudança se torna metade do caminho para lidar com ela.

Sim às vezes nós saímos dos trilhos, as coisas saem dos trilhos, mas no final das contas e dai? Podemos escolher a próxima ação, nem que seja sobre como vamos nos sentir a respeito e dizer: Olá solução!